(dis)placement

Na busca de quem somos, procuramos nos identificar com nossos parentes, comunidade e arredores. Edward Said mencionou, em “Reflections on Exile”, uma frase de Simone Weil que diz “ser enraizado é talvez a mais importante e menos reconhecida necessidade da alma humana”. É em casa onde encontramos o nosso conforto, mas as vezes situações nos fazem deixá-la. Seja para novas oportunidades, para encontrar refúgio, ou até mesmo porque foi forçado, como através do exílio. Independente do motivo, porém considerando os graus diferentes de impacto, a deslocada sempre encontrará desafios ao se deparar com uma cultura distinta.

Isso pode acabar a fortalecendo. Traz possibilidade para a pessoa se reinventar, experimentar algo novo, e construir conhecimento do ‘estrangeiro’, criando perspectivas que permitem o seu crescimento. Said mencionou como a maioria das pessoas tem noção de uma cultura e uma casa, porém, esse sentimento é dobrado no caso de exilados e imigrantes.

Deslocar algo é move-lo de sua posição original, e por tanto em território desconhecido. Lugares diferentes contém sua própria cultura, e proporciona a seus habitantes informações para sobreviver. Realocar para um lugar diferente significa adaptar a novas circunstâncias para sobrevivência, demandando força para enfrentar essas mudanças.

O displacement proposto nessa exposição vai além de fronteiras de países e é mais abrangente que a simples noção de deslocamento. Este se apresenta e situações de vulnerabilidade e do ‘não-pertencer’ mas também em momentos onde há uma troca de perspectiva. ‘Displacement’ é uma transição da identidade fixa para algo mutável, maleável. Displacement é multifacetado, e talvez até indefinível. As questões que virão a surgir serão interpretadas de diversas formas, sem certos ou errados, e de acordo com experiências individuais ou coletivas.

Essa exposição surgiu a partir de um edital, dando voz a artistas e autores do mundo inteiro. Um conselho para seleção das obras foi montado que escolheu 14 artistas, para trabalhar ao lado de 6 autores, introduzindo 10 nacionalidades diferentes ao projeto. Após esse processo, contamos com a participação de 58 patrocinadores para produzir a exposição, tanto em Londres quanto hoje, no Rio de Janeiro.

O painel de seleção de obras foi composto por Goia Mujalli, Julia Clemente, Lucrecia Vinhães, Sara Pearce and Sarah Elson.

Curadoria

Gabriela Davies

Artistas

Alice Quaresma, Andrea Castillo, Angela Chen, Dana Davenport, Ismene King, Jill Miller, Kailum Graves, Kiriaki Hajiloizis, Luiz D’Orey, Manoela Medeiros, Marcia Thompson, Marko Zubak, Mercedes Lachmann, Romain Dumesnil

Data de exibição

06/07/2017 - 04/08/2017

 Villa Aymoré - Ladeira da Glória, 26 - RJ 
terça - sábado | 13h - 18h 
galeriaaymore@gmail.com
Apoio:
Parceiros:

A Galeria Aymoré busca adaptar à soluções de exposição que não impactem o meio ambiente. Não produzimos material de distribuição e nosso design utiliza apenas papel reciclável.

Sugestões de como diminuir impacto ambiental são bem vindas.

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