Diálogos: Museu Casa do Pontal e Arte Clube Jacaranda

Uma conversa interessada: colocar em contato José Bechara, Arjan Martins, Fraklin Cassaro, Henrique Oliveira e Carlos Vergara, do arte Clube Jacarandá, e os artistas Dadinho, Galdino e Adriano, cujas obras integram o acervo do Museu do Pontal.

Além de afirmar os amplos compromissos do Espaço Jacarandá com as artes e a cidade, a mostra também quer ser um apelo pela retomada da construção da nova sede do Museu do Pontal, que colocará mais de nove mil esculturas em segurança.

Em abril de 2019, o Museu do Pontal sofreu uma inundação sem precedentes. O maior acervo de arte popular do Brasil ficou sob grave ameaça. Os prejuízos foram imensos, obrigando o fechamento da instituição. Em resposta, foi lançada uma campanha de apoio, que mobilizou centenas de apaixonados pela arte e cultura popular do país, demonstrando, de maneira radical, que nós brasileiros nos importamos com nosso patrimônio. Após a bem-sucedida campanha de arrecadação de fundos, o museu foi reaberto. Contudo, ele não pode permanecer onde está desde 1976, pois uma reforma urbana no seu entorno, feita sem planejamento, tornou sua área vulnerável a novas inundações.

Não por acaso é Carlos Vergara, um dos artistas do arte Clube Jacarandá, quem convida. Já em 1972, numa retrospectiva realizada no MAM, Rio, Vergara denunciava a ausência do público-povo nas galerias de arte. Criou, então, a instalação “Arroz com feijão”, numa referência simultânea aos aspectos simbólicos e ao concreto da coisa em si, da cultura arroz com feijão, a grande silenciada, e a videoperformance FOME, na qual a palavra era escrita com sementes de feijão preto sobre uma cama de algodão umedecido. Durante a exposição, os feijões germinavam e a palavra FOME desaparecia. Num mosaico de tendências, buscando ampliar fronteiras, convidou ainda artistas que compunham suas referências, entre eles Dona Cícera, ceramista popular que conhecera em viagem ao Nordeste.

A coleção de Jacques Van de Beuque ocupou o mesmo MAM de Carlos Vergara, apenas quatro anos depois daquela mostra. Foi um dos passos iniciais no entendimento da arte popular como um campo de arte plural, abrindo caminhos para se pensar sobre a autoria e a subjetividade dos artistas, vistos à época como sujeitos coletivos. Jacques inaugurou o Museu do Pontal ainda em 1976, assim que a exposição do seu acervo de arte popular no MAM foi encerrada.

Naquele momento, essas iniciativas representaram um corte, pois até então naturalizava-se o fato de que periferias conversavam com periferias, numa retroalimentação endogâmica perversa. Hoje, essa pequena exposição celebra aqueles gestos inaugurais. E marca, novamente, direções.

Essa mostra temporária inaugura o novo espaço da Galeria Villa Aymoré, ampliando e criando outros sentidos para as conversas sobre arte no Brasil contemporâneo.

Curadoria

Angela Mascelani

Artistas

Adriano Jordão, Carlos Vergara, Dadinho e Manoel Galdino

Data de exibição

20/09/2019 - 22/02/2020

 Villa Aymoré - Ladeira da Glória, 26 - RJ 
terça - sábado | 13h - 18h 
galeriaaymore@gmail.com
Apoio:
landmark.png
Parceiros:

A Galeria Aymoré busca adaptar à soluções de exposição que não impactem o meio ambiente. Não produzimos material de distribuição e nosso design utiliza apenas papel reciclável.

Sugestões de como diminuir impacto ambiental são bem vindas.

Todos os cursos e produtos vendidos neste site são de responsabilidade da empresa Gabriela P Q Davies Exposições de arte, CNPJ 32.204.342/0001-10, Ladeira da Glória, 26.

Tempo de entrega variável.

  • Landmark
  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon